domingo, 25 de março de 2012

O gosto amargo das despedidas

Hoje poderia ser só mais uma noite, com uma daquelas confortáveis lembranças, nas quais me refugiei em diversas outras noites. Mas, o sombrio céu noturno, trouxe-me uma preocupação inquietante. O futuro, impaciente, alertar-me, lembrando que o medo de perder algo que eu nem sei se possuo mais, está chegando, ou talvez, tenha chegado neste instante.

São coisas que por mais que esperamos, ao acontecer, ainda nos surpreendem. Sinto saudades das minhas saudades e medo do quão distante elas podem estar de mim, o medo agora é mescla de desejo e impotência. E a data de validade de um sonho inviável, apresenta-se de maneira devastadora. Por mais que, ao fechar dos meus olhos, eu insista em construir tudo aquilo que as circunstâncias me impossibilitaram, chega o momento do ópio surtir efeitos contrários.

Ao mesmo passo que, tento ocupar os vazios latentes em meu peito, os sentimentos acabam por tornar cada vez mais notória e irreversível a extensa camada que perfurou campo férteis e fatais, por algo que até então me fazia tão bem, e agora, já não está ao meu alcance. Muitos erros, encobridos pela saudade, e pela sensação de bem-estar que precedia tanto receio. Talvez, seja a hora de uma despedida definitiva desta vez, mas não de caráter físico, e sim, emocional.


terça-feira, 13 de março de 2012

Menos regras, mais amor!

Os relacionamentos findáveis acabam sendo estigmatizados como maléficos. Relacionamentos não precisam durar para sempre, como nos contos de fadas, para terem valido a pena. A convivência com outra pessoa é um momento no qual você está feliz com aquela pessoa, por mais que aquilo venha a ter um fim, seja ele trágico ou não. O relacionamento é um processo de crescimento e amadurecimento dos envolvidos, se conduzido de maneira saudável  - pautado no respeito e na sinceridade. 

Não deu certo? Faz parte, a vida continua. Ignorar os bons momentos que um ser humano passou ao lado do outro simplesmente porque teve um fim, é ignorar um pedaço de sua vida. Momentos são únicos, e se uma pessoa te satifez plenamente em uma oportunidade, e você proporcionou o mesmo a ela, é algo louvável. O tempo traz novos horizontes, que muitos vezes separam dois caminhos, que pareciam desembocar na eternidade da paixão. 

Muita gente prefere ficar na mórbida e dolorosa fase ''vingativa'', querendo mostrar para o ex-companheiro(a) que está bem e feliz - por mais que não esteja - e a verdade é que, aquela encenação infantil não faz sentido nem para quem submete-se a um papel tão ridículo. Devemos valorizar os bons momentos, compreender o final de algo que um dia foi tão grandioso ao ponto de unir duas pessoas. Pessoas iniciam namoros ou casam-se, depois se separam e assim sucessivamente, ou até mesmo conseguem manter acessa a chama do amor por toda a vida. 

Cada um é cada um, a lógica moralista do roteiro que devemos seguir rumo à felicidade, que inclui o casamento nem sempre é o melhor caminho e não deve ser tomado como parâmetro de qualidade. O casamento é um caminho, mas quem optar por outros relacionamentos também pode ser feliz, ou até mesmo mais feliz. O relacionamento, seja ele de qualquer natureza, é construído pela intensidade da paixão, amor ou qualquer outro sentimento inominável. Não existe fórmula, roteiro, príncipe encantado, muito menos princesas. Existem seres humanos, que se completam ou tem atração por serem opostos ou iguais, tanto faz, o que importa é está ao lado de quem desejamos. O sentimento de felicidade simplesmente por estar em companhia de alguém capaz de despertá-lo.

O grande problema  dos relacionamentos terminarem de maneira rápido ou banal, é a forma como são conduzidos. Em inúmeros casos não são os protagonistas do romance que escolhem seu destino, muitas vezes eles apenas trilham um caminho sugerido ou imposto pela sociedade, de acordo com dogmatismo religioso ou com o moralismo dominante. O ser humano precisa amar mais, e se preocupar menos com as regras. Porque aprisionar o ser amado, fará com que a sensação de liberdade seja desejada novamente, dessa forma, o homem ou a mulher acaba buscando meios de preencher aquele vazio, seja com traições ou coisas do gênero. O amor é para sentir, não pra ser jogado de acordo com regras impostas. Relacionamentos tendem a dar certo quando construídos em conjunto, imune aos julgamentos externos, baseados no que a sociedade acha correto. Quando as pessoas se amam, não existem regras, existe amor.

Celebremos mais o amor, e menos contratos perante autoridades sobrenaturais. O amor por si só é uma declaração verdadeira de felicidade. Relacionamentos começam, duram até que a morte vós separe, ou acabam perante um juiz. O importante é valorizar e respeitar os lindos momentos de amor passados ao lado da pessoa que um dia foi (é) amada, o fim - caso houver - é um detalhe, importante apenas para o recomeço. Amar não é acomodar-se, amar é reconquistar diariamente a pessoa que se ama e dá motivos para ser reconquistado. É provar para seu parceiro (a) porque vale a pena manter um relacionamento. A monotonia fica sempre a espreita, esperando o momento certo para destruir tudo que parecia interminável. Menos monotonia, e mais reconquista. Menos regras e mais amor!


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Entre fogos e precipitações

Mais um ano chegando ao fim, e por mais que eu não seja adepto desses rituais de passagem, leia-se réveillon e afins, essa época acaba nos levando a um inevitável balanço acerca do ano que está findando-se. Este é aquele momento em que você começa a refletir se os planos feitos no réveillon passado deram certos ou não. Em muitos casos não. Isto, porque planejamos o ano que se aproxima baseados em uma esperança que não toma conhecimento dos empecilhos que irão nos surpreender no decorrer do ano que se aproxima, e obviamente seria impossível prevê-los. Eu, particularmente, não vejo muito sentido em tanta ''oba oba'', acho até meio desnecessário, mas como tudo é motivo para fazer festa, e já que isto traz alegria para os envolvidos, não vejo porque me opor.

A grande armadilha de épocas, como o réveillon, é a ideia propagada que o réveillon é uma época de fazer planos e de renovar a esperança para que o ano de 2012 seja próspero. O erro acontece quando nos deslumbramos demais com os sonhos semeados nessa transição, os sonhos devem existir, mas para torná-los realidade é preciso ter calma e foco. O ser humano acaba enxergando-se já no final do caminho de um ano que ainda nem começou, e acaba não conseguindo construir tudo aquilo que ele queria da maneira correta.

O certo seria celebrarmos nossa vida todos os dias que acordamos saudáveis e dispostos a correr atrás de tudo aquilo que acreditamos que irá nos tornar pessoas melhores, ao contrário disso, acabamos esperando 365 dias, muitos deles desperdiçados, para planejarmos os próximos 365 dias, e assim sucessivamente. A vida não acontece no próximo ano, a vida é o agora e talvez possa ser o amanhã, isso depende principalmente da gente, mas pode sofrer interferência que podem nos frustrar, caso não estejamos preparados, por estarmos ocupados em sonhar com o fim do caminho, sem disposição e foco para percorrê-lo.

Fechamos mais um ciclo, e é necessário olhar para trás e avaliar cada atitude, para entender onde e por que os erros aconteceram, para não repeti-los, e exaltar os acertos para puder colocarmos em prática novamente no ano que vem. Refletir e buscar corrigir, e definir a direção em que pretendemos seguir. Os nossos sonhos e objetivos fluem de acordo com a maré que a vida nos impõe, as adversidades serão responsáveis por alterar ou confirmar a direção que definimos seguir. É importante ter esperança, mas não pode faltar foco.

O ano que vem será construído no dia a dia, no cotidiano, nas pequenas atitudes, que no fim terão grande impacto. Procure ser uma pessoa mais solidária, deixe o egoísmo e o ego adormecidos, e busque o amor e a compreensão de que a felicidade do próximo refleti a felicidade do coletivo, se esta se tornar uma busca de todos. Não deixa as futilidades mundanas tomar conta dos seus planos, e faça valer sua vivência, vivendo um dia de cada vez. Não é o ano de 2012 que irá realizar seus desejos, e sim, a luta por conquistas diárias. Para consolidar sonhos é preciso dar o primeiro passo, portanto, celebre sua vivência através dos gestos que honrem os seus propósitos.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sociedade doente

Vivemos em uma sociedade que caminha para a robotização. As pessoas tem vivido o que querem que elas vivam, o livre pensar e o livre arbítrio são direitos que nos foram cerceados por nós mesmos. Temos reprimido nossos verdadeiros desejos, para dar lugar aos desejos que a sociedade quer que tenhamos. Desde o tipo de sapatos que usamos até a música que escutamos, somos influenciados a ser de um jeito que agrade ao próximo, e a tribo a qual fazemos parte. O que realmente queremos não é o que pensamos, muito menos o que executamos. Uma tática utilizada pelos nossos colonizadores, e mais viva do que nunca no meio de nós, é a de fazer com que pensemos que os nossos anseios são secundários e o que realmente importa é agir de acordo com o que o nosso meio espera de nós, qualquer olhar que fuja da diretriz que nos aprisiona é condenado e mal visto pela sociedade, a eficácia desse método é tão evidente, que ele nos amedronta, impossibilitando que questionemos tudo ao nosso redor, pois o moralismo e o conservadorismo cumprem sua função de reprimir tudo que se auto conceitue como novo, ou, simplesmente questione o velho.

O ser humano caminha pelas ruas hipnotizado pelas placas de publicidade, assisti noticiários programados para programá-lo, escuta músicas sem conteúdo e que evitam a reflexão, o ser humano busca um estado de comodismo, onde possa gozar de todos os benefícios do capitalismo, sem se preocupar com os atingidos por tal sistema. Pois, não sejamos ingênuos, qualquer sistema que propicie ao ser humano o excedente, provoca inevitavelmente o déficit na vida de outro. Há quem diga, que isso é papo de revoltado, e como não me revoltar, em uma sociedade que não nos faz pensar, pelo contrário, vivemos uma sociedade que só nos faz querer um padrão de vida estipulado por ela, e nos envolve em uma competição com as pessoas ao nosso redor, culminado em um final feliz para uns, e em tragédia para outros. Muitos, com os olhos vendados, ficarão inconformados com minhas palavras, e o que mais me surpreende, é que são todos conformados. Conformados com a pobreza, a injustiça, a desigualdade social e a falta de oportunidade da maioria.

Vivemos tempos difíceis, e talvez seja só o começo de algo pior. O ser humano tem ocupado papéis que não dizem respeito a sua própria vida, temos encenado um filme, que sequer conhecemos o roteiro, e teremos um fim que se distancia muito do que realmente queremos. E sabe o que acontece com quem foge do set de gravação? Basta você imaginar, o que aconteceria com você se colocasse em prática todos os seus sonhos solitários, não digo dos sonhos que você é obrigado a sonhar, mas dos sonhos que você tem quando está sozinho, nas horas que te dá vontade de abandonar tudo e fazer o que realmente quer. Muitos não entenderão, pois já estão contaminados a tal ponto, que se ajoelham perante o sistema, e rezam um ''Pai  Nosso'' alternado de uma ''Ave-Maria'', a cada milésimo de segundo que se desviam do padrão ético moral que nos é imposto. O ser humano bem visto no nosso meio é aquele que segue dignamente seu roteiro, todos aqueles que discordam, são vistos como loucos, enfim, é o meu caso.

Fazemos parte de uma sociedade cada vez mais doente, onde a ambição sem limites dos seus componentes, provoca o ódio e desrespeito entre todos. As leis estão mais que contaminadas e só servem para atender a insignificante parcela detentora da neutralidade do nosso não pensar. Sociedade de muitos, feita para poucos; poucos que se enfrentam incessantemente em busca de um patamar cada vez mais alto, e a finalidade dessa busca se resume em status, poder, dinheiro e fama. Em nossa sociedade os cifrões ofuscam os nossos olhos, esmagando o pequeno brilho do amor, solidariedade, respeito e paz - que de tão insignificante aos olhos de todos - brilham menos que uma barra de ouro. Muitos ainda dizem, que os cifrões compram tudo, e munido dessa argumentação, pessoas se matam em busca da riqueza material, que simultaneamente nos leva a pobreza interna. Não estou criticando aqueles que apenas buscam ter uma vida estável e confortável, e sim, a maioria esmagadora que deixam os cifrões corroer todos os valores benéficos ao coletivo.

Os robôs seguem perfeitamente sua mecanização, julgando sem conhecer, lendo superficialmente através das roupas e dos bens materiais, formulando uma opinião acerca dos demais pela aparência. É triste perceber que uma sociedade entende qualquer anônimo engravatado como uma pessoa de bem, e por outro lado,  marginaliza qualquer outro ser humano que estiver descalço. Nosso caráter não pode ser medido pela roupa que vestimos ou pelo carro que temos. Nunca paramos para realmente entender as pessoas que não se encaixam no nosso padrão, e nem nos perguntamos o por quê de termos oportunidades tão distantes de uma criança, que a pobreza o abraça e a sociedade sufoca e exclui. Fazemos parte de uma sociedade, subdivida em tribos - que se agrupam pelos mais diferentes critérios - que são obedientes a algo ou alguém. Essas mesmas tribos devem satisfação para algum grupo ou até mesmo a um sobrenatural inexistente. Não quero me aprofundar nisso, mas apenas mostrar que vivemos uma grande farsa, e uma grande mentira, que tudo ao nosso redor nos faz acreditar ser real, e nunca é, nosso mundinho é sempre o cenário fictício de interesses maiores. Como lidar com essa situação? É muito mais fácil acordar todos os dias e seguir nossa agenda, sem pensar o que por quê de tudo aquilo, abdicando de uma reflexão sobre o propósito de nossa vivência. Refletir e agir contrário à correnteza, é coisa de demente nessa sociedade doente. Os que entenderam minhas palavras, provavelmente nada têm feito para mudar, acompanhar a melodia revolucionária das músicas ou ler as palavras reflexivas dos livros não é necessariamente agir, mas já é indiscutivelmente um avanço. Nós já vivemos em uma sociedade de palavras, estipuladas diga-se de passagem. Apenas uma sintonia perfeita entre a indignação de cada ser humano seria capaz de mudar tudo isto. A convivência com as pessoas tem me tornado cada vez mais descrente na possibilidade de mudança, entretanto, tenho vivido pautando mudanças pontuais que possam tornar a minha existência mais significante.

Tudo indica que marcaremos páginas de uma história de poucos, onde muitos foram usados como fantoches, sem sua permissão direta, mas compactuarão indiretamente pelas suas atitudes em um mundo globalizado, onde a tradição trata de perpetuar pela eternidade tudo isso que descrevi no texto. Por mais que tenha generalizado, de forma talvez equivocada, acho que todos nós contribuímos para a propagação de todos os erros anteriores e presentes em nossas vidas, embora ainda acredite que temos poder de remar em outra direção, o problema é convencer à todos que o nosso caminho é outro.



sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Você

Tem dias que meu mundo acorda de cabeça para baixo. Todas as minhas atitudes dizem respeito a você. Abrir a geladeira, e pensar em você. Ler um livro desconcentradamente, concentrado em você. Fechar os olhos em busca de um sono tranquilo, e encontrar você. Conversar na beira da esquina com o velho amigo, pensando naquela velha conversa com você. Atravessar a rua desatento, com a atenção voltada para você, ser quase atropelado, e daí? Se o pensamento estava em você. A vida começa a ganhar um colorido meio descolorido, ou melhor dizendo, tudo começa preto e branco, relembrando os velhos tempos que antecederam as tevês a cores, entretanto só você se destaca, só você ganha um colorido todo especial. O que tinha graça vira monotonia. A minha paz vira dependência. E o meu querer está todo em você. A liberdade tão prezada, até então, não faz mais sentido. Como pode uma pessoa ser capaz de interferir, de forma tão incisiva, na vida de outra pessoa? Não acho justo, sermos surpreendidos por uma força imbatível que invade lugares tão particulares. Porém não tenho do que reclamar, enquanto for do meu agrado não oferecerei resistência, e, quanto mais tempo se passa, menos chances têm de voltar atrás, e novamente começo a viver os riscos tão prejudicais, e ao mesmo tempo, tão benéficos ao meu ser. As palavras no papel, antes tão heterogêneas, hoje só ganham forma se fizeram menção a você. Você se tornou um vício, alimentado pela distância, e fortalecido pela saudade.

Palavras repetidas não se cansam de dizer, o que eu inevitavelmente sinto por você. O que mais queria, neste exato momento, era um abrigo encontrar, onde possamos nos amar, sem as preocupações de que tudo tem uma hora para acabar. E lá, ter a certeza em acreditar que a desilusão não saberia onde nos encontrar. Queria só um lugar, uma ilha talvez, para puder exteriorizar através dos beijos, abraços e olhares; tudo que aperta meu coração em uma civilização de regras por determinação, que tratou de nos separar.

A felicidade reside em uma ilha pequenina, distante dos olhos, e escondida nos mapas. Um cenário, três verbos e um sentimento em comum.



domingo, 13 de novembro de 2011

Matrix social

O mundo anda tão complicado, as pessoas se fecham dentro de suas bolhas com seus amores ''inabaláveis'', suas relações, preocupações e perspectivas profissionais, o ser humano está ficando cada vez mais egocêntrico, isolando- se em seu mundo e se desconectando da realidade coletiva. Esse contato entre mundos fragmentados dentro de um todo só acontece quando um depende do outro, e o que cerceia essa relação é sempre o interesse próprio, nunca o do outro. Caminhar em meio a multidões, cruzar olhares entre milhares de pessoas, e muitas vezes sequer notar que estamos encontrando diversas histórias humanas, como a nossa, em contrapartida o ''tic tac'' do relógio nos lembra que precisamos correr, que a nossa prioridade é atingir as metas diárias impostas por algo ou alguém que servimos em troca do combustível que sustenta nossa doce e ilusória felicidade egoísta.

O ser humano está se blindando a problemas comuns das grandes cidades. Ver uma criança pedindo dinheiro no sinal, um mendigo dormindo na rua e coisas do gênero tornaram-se normal, começamos a adotar linha do filme ''Matrix'', é como se nada fora da nossa bolha fosse real, até o momento que nos atingi diretamente. Falta ao ser humano ser mais humano. Da mesma forma que sonhamos e temos perspectivas favoráveis aos nossos anseios, milhares de outras pessoas têm sonhos que serão, pra sempre, apenas sonhos; e dentro desse número significativo existe uma maioria que não sonha mais, pois a vida se encarregou de construir um muro intransponível entre o real e o fictício. Essas pessoas sequer podem se dar ao luxo de buscar um refúgio ou abrigo dentro da própria mente.

É preciso o ser humano atentar-se ao mundo externo a essa bolha que prende seu egoísmo exacerbado, é preciso entender que por trás do que move o mundo, e, por conseguinte, o ser humano, está também o que mais destrói e nos limita.

Preocupe-se mais com o próximo, e não digo apenas entes queridos, preocupe em fazer o bem não importa a quem. Comece a propagar boas atitudes em meio a uma multidão de olhares mareados e você verá o efeito disso na vida de todos. Bolhas irão ruir através de simples gestos solidários. O ser humano precisa saber do poder que ele tem em mãos, poder capaz de transformar o impossível em possível e metamorfosear em segundos males que nos assolam há anos.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Palavras ao vento

Parece que foi ontem que a gente se conheceu, e a sintonia a priori não bateu. Sorte a minha não lembrar de tal dia onde tudo começou errado. Errado que viria dar certo num futuro próximo. Impossível esquecer a primeira vez em que me perdi nas minhas palavras e começava a dar voltas sobre voltas, e então,  teve início nosso romance às avessas. Daquele dia em diante você entrava na minha vida devastando minhas palavras tortas e minha instabilidade mal alicerçada.

Algo tão despretensioso e tão aleatório foi ganhando uma força inimaginável com o decorrer dos dias. A cada raiar de uma nova manhã tornava-me mais dependente dos seus abraços protetores, capazes exclusivamente de acolher minha instabilidade, e hoje digo, com absoluta certeza, você foi capaz de domá-la. Os dias foram passando e nos envolvendo em sua aparente lentidão e sua real precipitação. Eu sempre afoito, você sempre contida, e nessa misturada de sensações, você me ganhou.

Você cética demais para minha fé, e eu, complicado demais para sua lucidez. Depois de abusar tanto das palavras, apostar no destino, e ter medo da felicidade; chego à conclusão que tudo valeu à pena. Cada beijo, abraço, e principalmente cada palavra, precipitada ou não. Não me arrependo de nada, e farei dessa saudade, que já começa brotar em meu peito, uma fiel companheira para os momentos de angústia e solidão, pois foi nesses momentos que nossas vidas se encaixaram, e era nesses momentos que seus olhares e seu sorriso faziam tudo valer a pena.  A sua descrença no destino e nas palavras, podem acabar te surpreendo em meio às atitudes inesperadas do que nos aguarda.

O que nos espera, ou melhor, nos desespera, é tão imprevisível, como nossa história foi e têm sido; mas meu coração quer encontrar o seu novamente. Se nossos destinos não se cruzarem, talvez, seja melhor assim também. O importante é que você já marcou minha vida, quebrando as minhas próprias regras e me envolvendo num jogo sedutor de personalidades.

Na confusão diária do meu acaso, te dei minha sinceridade, traduzida em palavras desnorteadas e descredibilizadas, porém honestas, como sempre, e você me devolveu segredos, ao renunciar a uma desconfiança, antes necessária, agora não mais, espero.

Fecho os olhos e sempre me refugio no calor daquele abraço e no delicioso sabor dos seus beijos. À distância e o tempo são capazes de apagar marcas passageiras, não é nosso caso, pois o calor do seu corpo fez uma marca permanente na minha alma, e as lembranças boas dos momentos ao seu lado estão guardadas em lugares impenetráveis. Você é meu bem querer, e aconteça o que acontecer, tudo que nós vivemos, todos os riscos que nós corremos, valeram todas as consequências.

Não cabem mais desculpas, nem agradecimentos, só me resta às boas recordações. Não muito longe de mim, deixo a esperança de reviver tudo uma ou mais vezes. Deixaremos fluir, é melhor deixar o rio correr e levar as águas da saudade ao encontro ou desencontro em meio a um oceano de sentimentos.



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Binóculos imaginários

Peguei-me cometendo um erro que algum tempo atrás havia prometido nunca mais cometer, pois, pensava que havia aprendido a lição e que estava imune a aquele desacerto. Provavelmente num futuro próximo vou declarar ter aprendido essa lição de vez, e mais cedo ou mais tarde vou me pegar cometendo o mesmo erro de agora. Parece que estamos fadados a alguns ciclos viciosos. Por mais que achemos ter atingido a maturidade plena, sempre somos surpreendidos por nossa insensatez. A felicidade tem muito haver com isto, já que às vezes procuramos por ela nos lugares mais improváveis da face da Terra, enquanto ela brilha radiante do nosso lado. Todo mundo percebe – menos nós - ao ponto de acharem que estamos usufruindo dela, já que está tão evidente. Se um dia a felicidade bater na nossa porta e disser: ''Oi, meu nome é felicidade'', provavelmente, vamos bater a porta na cara dela, porque é uma tendência natural do ser humano querer problematizar e sistematizar o que é simples. Gostamos de olhar longe, planejar o futuro e traçar cada degrau que precisamos subir rumo ao topo, onde se encontra o grande tesouro, digo, felicidade. Muitas vezes ela está ao nosso lado, apenas esperando ser notada, ou até mesmo somos felizes e não nos damos conta disto. Quantas vezes vocês já pronunciou ou ouviu a frase: ''Eu era feliz e não sabia'' ? Preocupamo-nos tanto em manter aguçada nossa visão, ao melhor estilo águia, que nos esquecemos de nos entregar ao nosso objetivo. Partimos em busca da felicidade, e quando chegamos onde imaginávamos que ela estaria, ficamos frustrados. Isto, porque nós partimos em busca de algo que na verdade nós abandonamos. A felicidade consiste nas pessoas e nas coisas que estão ao nosso lado pelo simples prazer de nossa companhia, e não só nessas pessoas reside esse prazer, mas no somatório de fatores que inclui principalmente a presença delas. Eu, particularmente, costumo sentir muita saudade de vários episódios do meu passado, e ao sentir essa saudade, costumo me recordar que em todos os momentos em questão, imaginava que a felicidade estava distante de mim. A felicidade é uma idealização peculiar, impossível dizer que é assim que acontece e que sempre vai acontecer. Cada um tem uma história diferente, porém uma coisa é certa; o que mais almejamos pode estar ao nosso lado e só nós não enxergamos isso, afinal, tapamos nossos olhos para o que temos em detrimento de uma busca inconsequente por algo que já possuímos e simplesmente não notamos, pois estamos preocupados demais com nossos binóculos imaginários.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

O preço da liberdade

Um espírito aventureiro tem tomando conta de mim, e toda essa loucura que me pertence, mas  ficou esquecida por um tempo, está me libertando de toda lucidez que me aflige. Não tenho mais medo da liberdade, não sei mais medir as consequências dos meus atos, para então dosá-los. É sentir, querer e fazer. Não necessariamente nessa ordem, esse é o grande problema. Nem sempre o que eu falo vem na hora que eu sinto. Tudo separado por uma questão de segundos. As pessoas ao meu redor já começam a olhar com estranheza toda essa instabilidade, e por conseguinte começam a duvidar das minhas declarações, que em muitos momentos entram em contradições com minhas atitudes. A grande verdade é que eu perdi o controle sobre mim. No fundo, acho que foi isso que eu sempre quis. Viver descontroladamente em buscar do meu lugar no mundo, que por incrível que pareça, ainda não encontrei.

Quando lidamos com pessoas, não podemos ser inconsequentes de pensar apenas no nosso bem-estar, mas acho que esse é o preço de ser livre. Pois uma pessoa livre não se prende a nada, muito menos a alguém. Tenho que dar muitos passos antes de atingir a liberdade plena, ainda mais em uma sociedade de regras pré-estabelecidas na qual felicidade é mercadoria, e daqui pouco tempo vai está sendo vendida em um frasco nas melhoras lojas. Afinal, a fórmula da felicidade já foi criada e muitos estão tentando aplicá-la na magia de suas vidas. Quanta banalidade, querer conceituar e limitar todos os nossos sentimentos bons em amor ou paixão.

O ser humano não consegue enxergar que tudo que foi criado, não deu certo. Que todas as regras não são mais seguidas; e que o olhar conservador da sociedade não permite enxergar o que está debaixo do nosso nariz. Precisamos nos libertar dessas regras estabelecidas pelo moralismo dogmático que está em decadência. Quantas vidas você tem? Uma, certo? Está esperando o que para começar a vivê-la de verdade? Ao invés de entender minha contradição diária como pecado, eu prefiro compreendê-la como algo que me mantém de pé. Tudo que é certo demais leva ao tédio, eu gosto da dúvida. Gosto de me reconstruir todo dia, de sentir algo novo sempre que vejo a mesma pessoa, e talvez, reviver um sentimento quando conheço alguém.

Já não recrimino mais as pessoas que se decepcionaram comigo, pois eu mesmo me decepciono às vezes. Faz parte do jogo da vida, prefiro aceitar que as pessoas que um dia despertaram algo de bom em mim, farão parte de mim, mas não seguirão comigo. Porque meu caminho não cabe ninguém; além de mim. Antes de cada passo sempre paro, para conhecer novas pessoas e compartilhar algo intenso e profundo, que servirá de combustível para seguir em frente. No final, algo mais forte que a minha razão me puxa, é o desejo de viver a novidade de forma singular.

Para as pessoas que vão ter o prazer ou desprazer de me conhecer, eu sempre aviso, eu sou o risco, que eu gosto de correr.




segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cumplicidade, a essência da palavra amizade.

A tristeza e a solidão realmente tem sido fiéis companheiros nos momentos que mais preciso, e não posso deixar de destacar que elas me inspiram de uma forma assustadora. Os sentimentos opostos ao que ela me proporciona dificilmente conseguem me prender, ou me inspirar. Isso chega a ser tenebroso, então, procurei usar dessa inspiração propiciada pelo que descrevi acima, para poder falar de algo que eu tenho extrema dificuldade, ou seja apenas, desinteresse. Desinteresse, porque é um assunto tão clichê, tão normal, e minha vida se baseia em degustar sentimentos imersos na diversidade.

Diante do sofrimento de um grande amigo, percebi o quão a amizade ocupa um lugar significativo em minha vida. Coisas que nós só reparamos diante das adversidades, leia-se, sofrimentos pessoais ou alheios. A felicidade realmente comporta muitas histórias ao lado de pessoas, que me deram a honra de protagonizar momentos únicos e indescritíveis ao lado delas. Os momentos de alegria, no entanto, são cruéis e traiçoeiros, pois, ocultam a essência da cumplicidade. Ocultam porque a felicidade é generosa, mas esconde objetivos maldosos. Os momentos de tristeza são o contrário, eles são puros e verdadeiros, e não nos enganam jamais. Se um dia você quiser colocar alguma coisa em prova, espere as tempestades, pois a luminosidade em demasia dos dias de sol nos impedem de enxergar o que há de verdadeiro. Felicidade é dúvida, tristeza é certeza.

Queria abdicar de expressões repetidas cotidianamente por bilhões de pessoas, para apresentar para vocês o que a amizade representa na minha trajetória. Embora, pense que qualquer palavra dita por mim será interpretada da maneira mais banal possível, pois assim como o ''eu te amo'', a palavra ''amizade'' se perdeu no vazio duradouro da nossa ignorância.

Já faz algum tempo que meus sentimentos vêm sendo alagados pela constante temporada de chuvas, que parece não ter fim nos meus dias. Não reclamo, acho que tudo tem sido importante para reavaliar alguns conceitos. Não tem dinheiro nenhum no mundo, que pague a fortuna de ter o apoio e conforto das pessoas que gostamos nos momentos de dificuldade. A enxurrada que abalou minha vida trouxe com exata precisão, o lugar que meus amigos ocupam em mim, eles são os alicerces da minha existência. O seleto grupo que não me deixa cair é muito maior do que eu imaginava. Eu queria através desse texto, agradecer por tudo, e mais um pouco. A vida é uma dinâmica não só de sentimentos, mas também de atitudes. Coincidentemente, convivi com a tristeza de um camarada, que não merece nem ser chamado de amigo - é muito pouco, pelo que ele representa na minha história. Foi o momento que eu vi como existe um elo forte e verdadeiro entre nós, algo me fez sentir e reagir ao sofrimento dele. 

Lamento profundamente o fato de a sociedade ter esvaziado o conceito tão lindo desse sentimento. Talvez, seja por isso que evitei tanto falar sobre isso. Hoje foi inevitável deixar de destacar o papel dos amigos em minha vida. Desde aqueles que brincavam comigo na infância até os que me seguraram nos momentos mais insanos da atualidade. O sentimento por todos não é o mesmo, até porque tem alguns que não vejo tem anos, mas o papel de cada um na minha história exerce a mesma função. Lembrar-me-ei deles como os semeadores de alegria, e amenizadores da tristeza. A cumplicidade, talvez, seja algo maior que o amor. Sei que o amor a traz consigo às vezes, mas me arrisco a dizer que algo embutido em um sentimento, pode ser maior que o próprio sentimento em si, pois a preciosidade da cumplicidade é mais intensa.

Sem mais delongas, só queria reafirmar que sei quem são os verdadeiros em minha vida, e os que conspiram contra mim, do meu lado, tamanha impertinência, diga-se de passagem. A vida me ensinou a ser cortês com os inimigos e falsos amigos, a ponto de ludibriar o senso crítico alheio. Vou continuar minha árdua luta diária, com a honra de puder conviver com pessoas que despertam meu sorriso e ao mesmo tempo provocam em mim a coragem de um leão, quando alguém se atreve a mexer com um dos seus. Faço das coisas boas que eu já fiz pra quem eu amo meu mais sincero agradecimento, por ter vocês comigo. 


Esse texto é uma homenagem a todos aquele que se encaixem nas palavras acima, mas em especial gostaria de dedicá-lo para Wildson Caldeira.